Alguns estudos realizados acerca das actividades extra-curriculares evidenciam que as crianças que as praticam apresentam um melhor desempenho académico (Barber, Eccles, Stone & Hunt, 2003) e uma maior auto-estima e auto-conceito (House, 2000; Marsh, 1992). No entanto, defendem que o exagero no tempo e na diversidade das mesmas prejudicam esses mesmos benefícios. É necessário deixar a criança "respirar" e viver a sua infância.
A maior parte das famílias encontra-se sobrecarregada com empregos e tarefas que lhes ocupam o dia inteiro. Por isso, são escassas ou inexistentes as hipóteses de estarem com os seus filhos, quando estes terminam as aulas. Acabam por colocá-los em actividades extra, de forma a preencherem os tempos livres.
São também frequentes os pais que estão tão obcecados com o melhor para os filhos, que os inscrevem em tudo o que consideram importante: na música, na natação, no teatro, no inglês, na dança, no futebol, na equitação, etc.
Será que a criança se sente feliz a passar cerca de 5 horas na sala de aula, mais algumas horas no ATL, mais 1 hora na natação, mais 1 hora na música...? Que tempo lhe sobra para ser simplesmente criança?
Se as actividades extra-curriculares foram seleccionadas tendo em conta o gosto pessoal da criança e dos seus interesses, os objectivos são, obviamente, positivos. No entanto, quando a criança é "obrigada" a participar numa actividade que não tem a ver com o seu leque de interesses, os pais devem questionar-se sobre os perigos que daí advêm.
Muitas vezes, são os pais que escolhem as actividades dos filhos, tendo em conta o seu próprio gosto, percurso de vida ou comodidade entre a oferta mais próxima. Outros querem que eles vivenciem tudo o que eles não puderam, sobrecarregando-os. Nestes casos, as actividades extra-curriculares podem trazer mais transtornos do que benefícios.
Um outro aspecto a ter em consideração é a gestão dos tempos das actividades. É importante a calendarização das mesmas, para que a criança não tenha de vivenciá-las apenas durante a semana. A solução passa por aproveitar os fins-de-semana. Mesmo que isso retire algum tempo de descanso dos pais, será garantidamente mais proveitoso.
De uma forma geral, as actividades extra-curriculares trazem benefícios, desde que seja salvaguardado o tempo da criança brincar e divertir-se. As actividades promovem a troca de experiências entre pares, a autonomia, a criatividade, a iniciativa, o trabalho de grupo e a cooperação, a aprendizagem e o gosto por áreas de aprendizagem distintas, desde que sejam seleccionadas de acordo com os gostos da criança, e desde que sejam doseadas com conta, peso e medida.
Com o apoio da Clínica da Educação

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