16 Mai 2012

Adolescência e Sexualidade

A adolescência é a fase do desenvolvimento humano que marca a transição da infância para a idade adulta, sendo caracterizada por mudanças no corpo, nos pensamentos e nos ideais.

por Solange Sousa Mendes

Segundo a psicóloga Carla Costa, poderíamos cair na tentação de sentir que esta é um fase fácil, onde tudo acontece da melhor forma e onde se começa a ter mais liberdade. Só que a liberdade tem as suas consequências, escolhas, responsabilidades e, deste modo, esta fase de desafios é por si só complexa e delicada.

É na adolescência que se inicia a descoberta de si próprio, o lidar com as alterações do corpo, o descobrir o interesse sexual, o lidar com opiniões diferentes, o vivenciar situações em que nos sentimos diferentes dos outros e, por vezes, mesmo rejeitados. É por isso que a psicóloga considera a adolescência uma etapa árdua e em diversas ocasiões bastante dolorosa não só para os próprios adolescentes, como também para os pais. Para eles também é complicado lidar com situações novas, como quando os filhos lhes pedem para sair à noite. A ideia de não poderem estar com eles para os proteger é assustadora, mas proibi-los de viver e de crescer também não é solução, acrescenta Carla Costa.

É durante a adolescência que os jovens dão o primeiro beijo, têm o primeiro namoro e que iniciam a sua vida sexual. É nesta fase que surgem as grandes paixões e a atracção física. Surge assim a descoberta do outro, a altura em que os jovens se vão sentindo mais seguros, mais aceites, mais confiante de si e que percebem quais as suas capacidades. Começam a entender que a vontade própria, por si só, já não é suficiente.

A psicóloga defende que esta é uma fase com duas caras: "quando as coisas correm bem, os jovens sentem-se amados e valorizados, começando a criar uma auto-imagem segura e confiante. Se por outro lado, estas coisas correm menos bem e se sentem desvalorizados, iniciam também as dúvidas sobre si, tendem a sentir-se rejeitados, inferiores e a desenvolver mesmo uma imagem errada deles mesmos e, como consequência, baixa auto-estima".

Se a experiência da sexualidade é recheada de coisas boas e más, se é algo que faz parte da auto-descoberta e do desenvolvimento, se é algo que marca o futuro dos jovens, não só ao nível da própria identidade, mas na forma como se irão relacionar com os pares daí em diante, podemos deixar os nossos adolescentes sozinhos neste processo? A psicóloga defende que é fundamental existir um apoio para eles, criando-lhes oportunidades de falar/conhecer as mudanças físicas que vão ocorrer, de ouvir experiências de outros, de desenvolver conceitos, como o da paixão, o do amor, e de enraizar questões como amizade, respeito, relação e compromisso.

No que diz respeito à sexualidade, os jovens sentem-se, muitas vezes, pressionados em relação ao seu desempenho, à desilusão se algo corre mal, ou simplesmente ao sentimento de rejeição, caso não sejam correspondidos. Estes aspectos, segundo Carla Costa, acabam por passar mais despercebidos. Falar sobre os contraceptivos já vai sendo mais normal, já falar dos receios e das preocupações, das experiências menos boas, ou do que sentimos quando o outro não nos escolhe, é algo mais complicado. "É assim importante, ajudar os adolescentes a aprenderem a lidar com as próprias emoções, a perceber o que estas lhes dizem, levando-os a falar sobre as mesmas", finaliza.

Com o Apoio Clínica de Educação

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