22 Mai 2013

Qual a melhor opção, comprar ou arrendar casa?

Os portugueses estão a voltar a comprar casa depois da crise dos juros, dizem as mediadoras. Mas será o melhor?

por Sónia Peres Pinto

A falta de dinheiro disponível e a pouca vontade de se comprometer com um empréstimo a 30 anos, levaram Sara Rodrigues a optar pelo arrendamento. Um caso longe de ser único. Estas são algumas das razões que levam os consumidores a decidir arrendar uma casa, em contraponto com quem pensa a longo prazo e olhe para a compra como a única opção. "Seria completamente impensável pagar uma casa durante anos e esta ficar sempre nas mãos do proprietário, ter de lhe pedir autorização sempre que precisasse de fazer obras por mais simples que fossem", explica Paulo Fernandes.

O acréscimo de despesas - com contratos, registos, hipoteca, comissões, impostos e seguros - não parecem assustar Paulo Fernandes e são estas motivações que levam milhões de portugueses a optarem pela compra do imóvel.

Mas a verdade é que a compra nem sempre compensa e é preciso fazer muitas contas. Há quem julgue que não é vantajoso comprar uma casa com a perspectiva de a vender daqui a três anos ou para quem tem a noção de que a sua vida vai mudar a curto prazo - nestes casos é preferível optar pelo arrendamento.

"Por vezes a renda é mais elevada do que a prestação a pagar ao banco, só que os consumidores esquecem-se dos juros e impostos que têm de pagar. Se a isso somarmos um período de três anos, verificamos que é mais compensador pagar a renda mensal, pois não tem mais nenhum custo", salienta o administrador de uma rede imobiliária do mercado.

Vamos a números: um arrendamento custa em média 600 euros, enquanto um apartamento para compra pode andar à volta dos 146 mil euros, mas a este valor é necessário acrescentar todos os custos relacionados com o processo de compra e venda, além dos habituais encargos mensais.

regresso às compras: Mais ou menos vantajoso, a verdade é que a opinião das mediadoras é unânime: todos aqueles que suspenderam a decisão de compra estão agora a retomá-la. "As taxas de juro continuam favoráveis e é natural que a compra ganhe terreno em relação ao arrendamento", revelam alguns responsáveis.

No entender da Associação de Defesa do Consumidor (Deco), para quem tem poupanças ou uma boa relação com o banco, compensa comprar. "Neste momento, o valor da renda é superior ao da prestação do crédito. Além disso, como a crise dificulta a venda, o preço das casas está mais baixo e pode fazer bons investimentos", refere a entidade. Mas independentemente das contas e taxas de juros, é o factor segurança que mais pesa na decisão final sobre o passo a dar.

"Muitos portugueses valorizam a segurança da compra: findo o contrato de crédito há a garantia de que a casa passa para as suas mãos. Já no arrendamento, apesar dos direitos de renovação, o inquilino pode, um dia, ser convidado a sair pelo senhorio. Além disso, por mais rendas que pague, nunca será proprietário do imóvel", afirma a Deco.

A associação diz, no entanto, que nem tudo são desvantagens em relação ao arrendamento. De acordo com a mesma, esta pode ser a solução ideal para quem está em início de carreira, pretende sair de casa dos pais ou para quem não tem rendimentos para comprar. Também a mobilidade é apontada como uma das vantagens desta opção: "Permite mudar de casa com facilidade dada a duração dos contratos e não precisa de esperar por um bom negócio para vender, como ocorre com os proprietários.

"Há outros factores a ter em conta para tomar a melhor decisão. No caso do arrendamento precisa de pagar a renda mensalmente - inicialmente terá de pagar uma renda como adiantamento que serve de caução - e o valor das obras, consoante o que for acordado com o senhorio. No caso da compra terá, na maioria dos casos, de recorrer a um empréstimo bancário e geralmente as instituições financeiras não concedem empréstimos pelo valor total de compra ou avaliação.

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